Artes & Espetáculos : SP- A exposição OUNJE – Ocupação Artística sobre Comida, Ancestralidade e Gestão Feminina Negra entra nas últimas semanas, com vistação gratuita até 28 de março, no Instituto Çarê, localizado na Vila Leopoldina. A ocupação reúne obras e ações que articulam arte, memória e práticas de gestão feminina negra a partir da relação entre comida e ancestralidade.

Capulanas Cia de Arte Negra apresenta últimas semanas da ocupação OUNJE no Instituto Çarê, na Vila Leopoldina A exposição OUNJE – Ocupação Artística sobre Comida, Ancestralidade e Gestão Feminina Negra, concebida e produzida pela Capulanas Cia de Arte Negra, segue em cartaz no Instituto Çarê até o dia 28 de março, com entrada gratuita. A ocupação reúne obras e ações que articulam arte, memória e práticas de gestão feminina negra a partir da relação entre comida e ancestralidade. “Ounje”, palavra de origem iorubá que significa “comer junto”, dá nome à ocupação que transforma o espaço expositivo em território de memória, afeto, organização e luta. A partir da comida como eixo central, o projeto propõe uma reflexão histórica sobre o papel das mulheres negras na gestão da vida comunitária, destacando a “casa do preparo” como espaço estratégico de administração de recursos, transmissão de saberes e construção de redes de cuidado e de resistência cultural. A exposição também resgata experiências de organização feminina negra no Brasil, como a Sociedade Brinco de Princesa, fundada em 1925, em São Paulo, por empregadas domésticas que promoviam jantares para financiar a imprensa negra no pós-abolição. Em diálogo com o continente africano, a instalação convoca ainda a memória da Guerra das Mulheres na Nigéria, em 1929, quando milhares de mulheres igbo se mobilizaram contra a taxação colonial sobre alimentos, defendendo sua autonomia econômica e política. A mostra integra o Programa de Residência Artística do Instituto Çarê em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da USP - IEB, iniciativa que fomenta pesquisas e práticas artísticas a partir de acervos documentais, entendidos como territórios de disputa política e epistemológica. Sobre o Instituto Çarê Çarê, para os Mẽbêngôkre, autodenominação do povo Kayapó do Sul, é o broto ou a raiz. O Instituto Çarê identifica, preserva e amplia o acesso a acervos, apoia a pesquisa, fomenta produções artísticas e musicais e promove um modelo inclusivo e plural de educação e convívio. Fundado em 2019, o Çarê é uma associação civil sem fins lucrativos criada como desdobramento da experiência do ateliê escola Acaia, com quem pratica vizinhança, bons afetos e experiências. Desde sua origem, o Instituto acolhe e promove a cultura por meio do fazer coletivo e do encontro entre diferentes atores. Localizado na Vila Leopoldina, busca, pela convivência e pelas trocas com o território, onde diferenças sociais e econômicas se apresentam, unir e possibilitar o protagonismo a quem sempre o teve negado. As ações do Instituto são mediadas e viabilizadas por núcleos de ação que trocam entre si e se complementam. Esses núcleos atuam nos campos de acervo, música, artes, socioambiental e editorial. Saiba mais em: https://institutocare.org.br/. Programa de Residência Artística Çarê | IEB-USP Desde 2024, o Instituto Çarê e o IEB-USP vêm recebendo coletivos de artistas e agentes culturais que desenvolvem pesquisas e práticas artísticas a partir dos acervos das duas instituições. Nesse processo, estabelece-se um movimento de dupla ativação: ao mesmo tempo em que os residentes se apropriam dos documentos pesquisados, também dão novos sentidos a eles, iluminando registros historicamente marginalizados e contribuindo para a ressignificação das políticas de memória. A exposição OUNJE – Ocupação Artística sobre Comida, Ancestralidade e Gestão Feminina Negra é resultado desse processo de residência e reafirma o compromisso do Programa com práticas culturais comprometidas com os direitos humanos, a justiça social e a construção de narrativas plurais sobre a história. Capulanas Cia de Arte Negra Fundada em 2007 na zona sul de São Paulo, desenvolve uma pesquisa continuada, comprometida com a formação identitária da mulher negra periférica — suas vidas concretas, seus dilemas cotidianos, suas estratégias de sobrevivência e seus projetos de futuro. Para o coletivo, a cena não é apenas representação: é espaço de reorganização simbólica, elaboração de memória e produção de pertencimento. Partindo do território e da experiência vivida, o trabalho das artistas-pesquisadoras Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Olaegbé Jéssica Nascimento investiga as engrenagens do racismo estrutural desde dentro — do cotidiano, do afeto, da casa e das relações comunitárias. Suas criações articulam pesquisa histórica, escuta e fabulação para tensionar imagens cristalizadas sobre o corpo negro feminino e deslocar narrativas que historicamente o aprisionaram. Ao longo de sua trajetória, a Capulanas Cia de Arte Negra consolidou-se como referência para coletivos negros que articulam arte, território e identidade. Sua permanência na periferia e sua atuação continuada demonstram que é possível produzir pesquisa estética consistente fora dos centros hegemônicos, sem abrir mão do compromisso político e comunitário. Serviço: Exposição: OUNJE – Ocupação Artística sobre Comida, Ancestralidade e Gestão Feminina Negra Data: De 7 a 28 de março de 2026. Visitação: De terça à sábado das 13h até 20h Instituto Çarê Rua Dr. Avelino Chaves, 138 – Vila Leopoldina – São Paulo (SP) Entrada: Gratuita.

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